quinta-feira, 26 de junho de 2008

três é demais

Tudo ia bem no quintal dos vira-latas. Mas precisamos mudar de casa e aí foi um auê. Eu não queria, minha irmã não queria, mas não teve jeito: nós e os três cães mudamos de casa e de bairro. A casa era menor, o bairro muito mais movimentado - brincar na rua, nem pensar, passava ônibus na nossa porta! E o quintal... bem, pra falar a verdade, não era bem um quintal. Era tudo cimentado, não tinha uma árvore sequer! No máximo, uns canteirinhos laterais que só foram ter plantinhas depois que minha mãe plantou um monte delas.

Os cachorros enlouqueceram. Brigavam muito, arrancavam as plantas, não aceitavam a casinha nova. Afinal, eram dois machos e uma fêmea num espaço pequeno. Nessa época, nenhum veterinário orientava a castração, que talvez tivesse solucionado boa parte dos nossos problemas... Foram 6 meses de caos. A solução não foi nada pacífica: doar Horácio e Mug, ficaríamos só com a Cinira. Muitas lágrimas e discussões depois, começamos a seleção dos futuros donos. Escolhemos a dedo. Fomos visitar as novas casas e conhecer as pessoas, levamos os cães pela coleira, mais de dois meses nessa função. Novos donos escolhidos, nos despedimos e fomos entregar os bichinhos. Me lembro de chorar por vários dias, abraçada à Cinira, no quintal onde a paz estava estabelecida. Fomos com minha mãe visitar Horácio e Mug muitas vezes depois, e só assim ficamos convencidos de que foi mesmo uma boa providência. Eles reinavam sozinhos, Mug tinha até uma poltrona na sala só para ele, onde dormia e via televisão. Eram casas com crianças que brincavam com eles boa parte do dia. Estavam bem tratados, adaptados, e os novos donos felizes.

Cinira reinava sozinha lá em casa. Ganhou canil e casinha novos. Aliás, esse foi um episódio engraçado. Para fazer o canil, medimos a cabeça dela, de modo que ela não pudesse sair por entre as grades. Encomendamos, instalamos e lá foi Cinira, passava parte do dia presa no canil. Claro que não gostou. Ficou sem comer na hora do almoço por duas semanas. Levamos ao veterinário, que disse que ela estava ótima do ponto de vista clínico, sugeriu que passeássemos com ela. Não deu certo. Cinira não queria ver a cor da rua. Colocar-lhe a coleira era um parto; sair pelo portão, quase impossível. Parecia uma mula empacada! Numa manhã comum, estávamos de saída para a escola e a danada toda feliz, passeando pelo quintal... ué, não deveria estar presa? Deveria. Mas ela aprendeu a passar a cabeçona de lado por entre as grades e, como estava comendo só a metade da ração, perdeu peso e consegiu atravessar as grades!!! Rimos muito e decidimos manter a porta do canil sempre aberta, deixando-a presa só em dias de festa, pois ela era muito brava com pessoas que não conhecia.

Acreditam que Cinira não ficou muito tempo sozinha? Mas esse é um assunto para outro post.

Um comentário:

Cláudia disse...

Olá! passei para dizer OI e dar uma olhadinha no blog. Muito legal! Já tive varios cachorros e gatos tb...e todos conviviam em paz! algum dia coloco as fotos dos meus amigos caninos tb.

obrigada pela visita ai beco dos felinos

bjs