sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

a chegada da Shiva

Foi em 2005. O namorado decidiu realizar um sonho antigo: ter um labrador caramelo. Eu tentei argumentar que talvez aquele não fosse o melhor momento, afinal, ele estava morando em Brasília, e eu morava em Belo Horizonte. Não tínhamos resolvido a data do casamento. Não tínhamos casa! Muitas coisas a resolver antes de providenciar um labrador.
Mas ele é ligeiramente teimoso, então, num dos finais de semana que fui vê-lo em Brasília, saímos para um sorvete e lá estava eu diante de uma cadela e sua fofa ninhada. Eram quatro adoráveis bolinhas de pêlo, e eu já sabia que escolheríamos ali nossa cadelinha. Nova surpresa: ela escolheu seu dono. A assanhada não saiu dos pés do meu futuro marido desde que adentramos o canil. Seus irmãos correram para a mamada e ela só queria saber de puxar as barras da calça.
Combinamos levá-la para casa quando ela completasse 60 dias. Epa! Qual casa? Sobrou para meus sogros abrigarem o pequeno cão. Seria por pouco tempo, pois em breve casaríamos e nos mudaríamos de lá. Eles acharam que era brincadeira...
Chegamos na casa da minha sogra com casinha, panelas, ração, paninho, brinquedos, ossinhos e a pequena fofura. Achei que ela (a sogra) ia passar mal. Ficou branca. Depois azul. E por fim, engoliu em seco e soltou um discreto "não acredito!". Instalamos tudo na área de serviço, pois o quintal ainda não estava cercado a contento. Ela podia cair na piscina ou passar pela grade.

Fiquei ansiosa, pois fui descobrindo que cães não eram exatamente a paixão da minha sogra. Ela já tinha algumas experiências traumáticas com esses seres, mas aceitou nossa cadela sem reclamar. Tá, reclamou um pouquinho. Mas até pouco diante de tudo que se sucedeu.
Shiva crescia em saltos para mim. De 20 em 20 dias eu chegava em Brasília, e a cada visita, maior ela estava. Às vezes o focinho crescia mais que o resto. Às vezes eram as pernas que tinham espichado.

Quando casamos, ela já estava grande. E fazendo estragos. Muitos estragos.


Arrancou árvores e cavou enoooormes buracos. Arruinou as plantas preferidas de minha sogra. Até as roseiras. Ela desenvolveu uma técnica de cavar e arrancá-las pela raiz. Incrível o que um labrador amarelo entediado é capaz de fazer. Abria as torneiras sozinha nos dias quentes e tomava banhos intermináveis. Ao menor sinal de aproximação, fechava a torneira e fazia cara de desentendida. As contas de água da casa da minha sogra atingiram valores exorbitantes.


Um ano havia se passado. E estávamos nós três e nossa mobília entulhando toda a sala. Já tínhamos nossa casa, mas as obras pareciam não terminar nunca. E a infância da Shiva parecia ter apenas começado. Ela já pesava quase 40 Kg. Seu poder de destruição me parecia infinito. Nada escapava ao seu bocão amarelo. "Foi adestrada pelos bombeiros", meu marido sempre repetia às pessoas que elogiavam sua educação e simpatia ao caminhar pelo bairro. Parecia um anjo sentada à porta do supermercado. Bastava chegarmos em casa e o "anjo" se tornava um furacão. Parecia um diabo da Tasmânia.

Mais seis meses. E finalmente nos mudamos para nossa casinha! Shiva ganhou um enorme canil. Não fizemos projeto de paisagismo, e portanto, não havia muito a ser destruído. Cada planta foi escolhida para que ela pudesse circular pelo quintal sem nos aborrecer com seu ímpeto de roer. E já planejávamos a chegada de outro cão: o canil foi projetado para abrigar mais um... mas essa já é outra história...

2 comentários:

Leticia disse...

Bella... adorei sua ideia de fazer um blog... e esta uma delicia de ler!!!! Com todas as artes da Shiva e do Guido, creio q vamos nos divertir bastante!!!

Marcela e Otávio disse...

Bella, como ela é fofa... Lembrei direitinho de você contando como ela abria as torneiras pra se molhar... hihihi
Você já leu "Marley e eu"? Se ainda não leu, leia... Você vai descobrir que sua Shiva podia se chamar Marley e vice-versa.
Sempre que tiver um tempo (coisa rara pra mim nestes dias) eu venho ler um bocado.
Saudades de você.
Bjão